Informática em Saúde e a Interoperabilidade nos Sistemas Hospitalares

  • Adília Maria Pires Sciarra
  • João Marcelo Rondina

Resumo

A Informática em Saúde ou Informática Médica , ou ainda, Tecnologia da Informação em Saúde (em Inglês Medical Informatics)
é definida por Blois e Shortliffe (1990) como “um campo de rápido desenvolvimento científico que lida com armazenamento,
recuperação e uso da informação, dados e conhecimentos biomédicos para a resolução de problemas e tomada de decisão”. A Saúde
é uma das áreas onde há maior necessidade de informação para a tomada de decisões. A Informática Médica é o campo científico que
lida com recursos, dispositivos e métodos para otimizar o armazenamento, recuperação e gerenciamento de informações biomédicas.
O crescimento da Informática em Saúde deve-se, em grande parte: aos avanços nas tecnologias de computação e comunicação, à
crescente convicção de que o conhecimento médico e as informações sobre os pacientes são ingerenciáveis por métodos tradicionais
baseados em papel, e devido à certeza de que os processos de acesso ao conhecimento e tomada de decisão desempenham papel
central na Medicina moderna.
Portanto, no setor da saúde, dentre as diversas aplicações das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) que desempenham
recursos para facilitar a criação e o uso de dados, de informação e de conhecimento de saúde; a Interoperabilidade surge como
a capacidade que os diversos sistemas da informação e aplicativos de software têm de se comunicar, trocar dados e utilizar as
informações trocadas para suportar e viabilizar todos os aspectos do sistema de saúde.
O setor da saúde no Brasil ainda guarda muitos desafios, entre eles o próprio uso da Tecnologia da Informação (TI). Nesse aspecto,
a Interoperabilidade já está deixando de ser uma tendência para ser uma exigência do mercado, uma vez que, além de reduzir custos
e eliminar deficiências através da automatização de tarefas, oferece maior controle e agilidade do workflow e otimização do tempo;
garante também ao paciente uma melhor experiência de atendimento. A análise de dados facilita a identificação de pontos que
devem ser mais bem trabalhados e a realocação estratégica da força de trabalho. No entanto, muitas organizações de saúde ainda
não adotaram a Interoperabilidade dos sistemas de saúde por mera falta de conhecimento do processo. São três as etapas para
implementação da Interoperabilidade nos sistemas de saúde:
1. Desenvolvimento e implementação do registro eletrônico de saúde (EHR):
Essencial para trabalhar a saúde de forma preventiva, o registro eletrônico de saúde (ou EHR, em sua sigla em inglês), facilita a
continuidade, e, portanto a qualidade, a eficiência e o acesso aos cuidados de saúde. O EHR garante a integridade e a permanência da
informação original em formato acordado e por tempo determinado; capacidade para diferentes vistas pelos utilizadores, e interações
amigáveis e ainda interoperação com diferentes bases de dados em diversos locais (capacidade de integração em sistemas clínicos
e administrativos diferentes).
2. Desenvolvimento e implementação de medidas de desempenho administrativo sensíveis para certificação:
Além de grandes custos operacionais, a desorganização da imensa quantidade de dados coletados em um sistema hospitalar
gera déficit indireto por conta do tempo perdido em busca da tradução desses dados para a mesma linguagem, para que, só então,
os profissionais possam atender seus pacientes. Por outro lado, o controle ineficiente de fornecedores e a falta de transparência
geram gastos desnecessários e vultosos anualmente. A interoperabilidade viabiliza a análise de informações estratégicas, como o
aproveitamento de leitos, o tempo gasto no atendimento e maior controle de estoques e pagamento de fornecedores:
3. Definição e adoção de um padrão único de linguagem entre sistemas:
Hoje diversas organizações e instituições de saúde já utilizam tecnologias que digitalizam processos, mas é necessário que
haja uma padronização de linguagem para que todos consigam intercambiar informações de forma eficiente e rápida. Hoje, um
médico tem que sair de um sistema e entrar em outro para poder ter acesso às informações de um mesmo paciente. Para haver
interoperabilidade, todos os players precisam estar integrados através de uma única linguagem-padrão, para que conversem entre si
sem a necessidade de intervenção humana.
No Brasil as informações e padrões de Interoperabilidade em saúde disponibilizados pelo projeto de Interoperabilidade SOA-SUS
(portaria nº 2.073, de 31 de agosto de 2011) são o conjunto mínimo de premissas, políticas e especificações técnicas que disciplinam
o intercâmbio de informações entre os sistemas de saúde Federal, Municipal, Distrital e Estadual, estabelecendo condições de
interação com os entes federativos e a sociedade. O objetivo é promover a utilização de uma arquitetura da informação em saúde
que contemple a representação de conceitos para permitir o compartilhamento de dados em saúde, além da cooperação de todos os
profissionais, estabelecimentos de saúde e demais envolvidos na atenção à saúde prestada ao usuário do SUS, em meio seguro e com
respeito ao direito de privacidade. Dessa forma será possível otimizar o atendimento ao paciente e a gestão em saúde, reduzindo
custos, retrabalhos e erros humanos.

Publicado
julho 20, 2018
Como Citar
SCIARRA, Adília Maria Pires; RONDINA, João Marcelo. Informática em Saúde e a Interoperabilidade nos Sistemas Hospitalares. Arquivos de Ciências da Saúde, [S.l.], v. 25, n. 2, p. 2-2, jul. 2018. ISSN 2318-3691. Disponível em: <http://www.cienciasdasaude.famerp.br/index.php/racs/article/view/1262>. Acesso em: 17 ago. 2019. doi: https://doi.org/10.17696/2318-3691.25.2.2018.1262.
Seção
Editorial